Feriado de carnaval. Obrigatoriamente, esse período de festa e samba devia trazer animação pra todo mundo, não é mesmo? Não. Se fosse assim, agora eu não estaria no computador escrevendo bobagens. Isso não quer dizer que eu não esteja animada, porque ontem saí e é possível que amanhã saia de novo. De qualquer forma, estou num ambiente cômico e silencioso. Consigo ouvir a casa respirando ares, quem sabe, de felicidade, satisfação, projetos pra futuros próximos e distantes... Todo mundo está dormindo profundamente, depois de uma tarde de cerveja gelada e licor doce. Rá! Por isso não estou dormindo, porque eu não bebo. *o*
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010
sábado, 13 de fevereiro de 2010
Carta aos líquidos amarelos (crônica)
Eu e minha família temos uma cadela filhote. Ela é muito mal-educada - parece que seus ouvidos são seletivos; Sofia só ouve o que quer. Traduzindo: enquanto seus dejetos, os quais deveriam estar na grama, penetram no tapete da sala, ela não percebe nossos berros irados de repreensão. Depois da gritaria absoluta, a realidade: alguém deve limpar o xixi.
Meu pai e meu irmão geralmente estão ocupados a essa hora (dormindo), então as candidatas à limpeza somos eu e minha mãe. Teoricamente, o dono de uma mercadoria (seja ela alguém ou algo) é quem pagou por ela. Aqui em casa, há dois tipos de proprietário: aquele que cuida da propriedade e aquele que só desfruta dela. Eu cuido da cadela.
Uma vez que cuidar dos cachorros é uma responsabilidade minha, os excrementos deles também o são. Com esse e outros argumentos, mamãe encerra a discussão travada entre nós (como se adiantasse dizer alguma coisa). Resignada por ter perdido a guerra, limito-me a colocar uma toalha de papel sobre o líquido amarelado, que a essa hora já está seco.
Outros xixis vão aparecendo pela casa (junto a eles surgem pegadas molhadas - masculinas, é claro). Graças a uma energia transcedental e onipotente, meu pai e meu irmão acordam. Minha esperança se renova: agora eles podem limpar a sujeira da Sofia por mim. Doce ilusão. Eles dirigem-se à cozinha (por que será?) e retornam aos quartos. Sua próxima atividade sedentária provavelmente é assistir televisão.
Meu pai e meu irmão geralmente estão ocupados a essa hora (dormindo), então as candidatas à limpeza somos eu e minha mãe. Teoricamente, o dono de uma mercadoria (seja ela alguém ou algo) é quem pagou por ela. Aqui em casa, há dois tipos de proprietário: aquele que cuida da propriedade e aquele que só desfruta dela. Eu cuido da cadela.
Uma vez que cuidar dos cachorros é uma responsabilidade minha, os excrementos deles também o são. Com esse e outros argumentos, mamãe encerra a discussão travada entre nós (como se adiantasse dizer alguma coisa). Resignada por ter perdido a guerra, limito-me a colocar uma toalha de papel sobre o líquido amarelado, que a essa hora já está seco.
Outros xixis vão aparecendo pela casa (junto a eles surgem pegadas molhadas - masculinas, é claro). Graças a uma energia transcedental e onipotente, meu pai e meu irmão acordam. Minha esperança se renova: agora eles podem limpar a sujeira da Sofia por mim. Doce ilusão. Eles dirigem-se à cozinha (por que será?) e retornam aos quartos. Sua próxima atividade sedentária provavelmente é assistir televisão.
quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
O destino
O destino não existe. Ele não passa de uma invenção humana.
Quando algo importante acontece, passamos a observar minuciosamente os detalhes anteriores ao fato. Se cada mínimo detalhe influencia no todo, dizemos que foi "obra do destino", que "era para acontecer".
Destino nada mais é do que uma combinação de acontecimentos ou coincidências que nos levam a algo maior. Podemos nos confortar pensando que aquilo tinha de ocorrer, se for ruim, mas é só uma defesa humana contra o fato e o futuro.
Quando algo importante acontece, passamos a observar minuciosamente os detalhes anteriores ao fato. Se cada mínimo detalhe influencia no todo, dizemos que foi "obra do destino", que "era para acontecer".
Destino nada mais é do que uma combinação de acontecimentos ou coincidências que nos levam a algo maior. Podemos nos confortar pensando que aquilo tinha de ocorrer, se for ruim, mas é só uma defesa humana contra o fato e o futuro.
Tragédia e comédia
Um pobre homem, amargurado, desenha suas linhas: são poesias, em versos irregulares, com abraços e saudades de uma vida inteira. São um gráfico torto, que oscila entre o topo e o chão. São silêncios, portadores de um grande desespero, que carregam-lhe toda a comédia do amanhã. Sobram-lhe a migalhas da tragédia...
Ouvem-se palavras ansiosas.Elas tremem, choram, se acumulam. O depósito de desgraças se entope. O pobre homem continua calado, somente ouvindo, engolindo, matando (sem sucesso). O que ele é hoje está indefinido. O que ele foi é o que o salva, o recordar de sua (outra) vida, que já foi cheia de comédia e alegria.
Quando seu espírito está apodrecendo, alguém vem ajudá-lo. Graças à sua miserável disposição (embora haja muito cansaço), ele consegue aguentar a infinita espera pela sua salvação. Lá vem a noite, que irá trazer-lhe uma nova comédia. Que a sua canção seja ouvida, sua loucura será amenizada, pois o que o manteve vivo foi o seu próprio desespero.
Ouvem-se palavras ansiosas.Elas tremem, choram, se acumulam. O depósito de desgraças se entope. O pobre homem continua calado, somente ouvindo, engolindo, matando (sem sucesso). O que ele é hoje está indefinido. O que ele foi é o que o salva, o recordar de sua (outra) vida, que já foi cheia de comédia e alegria.
Quando seu espírito está apodrecendo, alguém vem ajudá-lo. Graças à sua miserável disposição (embora haja muito cansaço), ele consegue aguentar a infinita espera pela sua salvação. Lá vem a noite, que irá trazer-lhe uma nova comédia. Que a sua canção seja ouvida, sua loucura será amenizada, pois o que o manteve vivo foi o seu próprio desespero.
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