Eu e minha família temos uma cadela filhote. Ela é muito mal-educada - parece que seus ouvidos são seletivos; Sofia só ouve o que quer. Traduzindo: enquanto seus dejetos, os quais deveriam estar na grama, penetram no tapete da sala, ela não percebe nossos berros irados de repreensão. Depois da gritaria absoluta, a realidade: alguém deve limpar o xixi.
Meu pai e meu irmão geralmente estão ocupados a essa hora (dormindo), então as candidatas à limpeza somos eu e minha mãe. Teoricamente, o dono de uma mercadoria (seja ela alguém ou algo) é quem pagou por ela. Aqui em casa, há dois tipos de proprietário: aquele que cuida da propriedade e aquele que só desfruta dela. Eu cuido da cadela.
Uma vez que cuidar dos cachorros é uma responsabilidade minha, os excrementos deles também o são. Com esse e outros argumentos, mamãe encerra a discussão travada entre nós (como se adiantasse dizer alguma coisa). Resignada por ter perdido a guerra, limito-me a colocar uma toalha de papel sobre o líquido amarelado, que a essa hora já está seco.
Outros xixis vão aparecendo pela casa (junto a eles surgem pegadas molhadas - masculinas, é claro). Graças a uma energia transcedental e onipotente, meu pai e meu irmão acordam. Minha esperança se renova: agora eles podem limpar a sujeira da Sofia por mim. Doce ilusão. Eles dirigem-se à cozinha (por que será?) e retornam aos quartos. Sua próxima atividade sedentária provavelmente é assistir televisão.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário